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Como está a presença das mulheres na tecnologia? Confira os desafios e o status deste cenário

Como está a presença das mulheres na tecnologia? Confira os desafios e o status deste cenário

A igualdade de gênero e a presença de mulheres na tecnologia ainda é uma questão dentro da área. Vem entender mais sobre isso e como ajudar nessa mudança!

Tempo de Leitura: 5 minutos

O mercado de TI é um dos que mais crescem atualmente, demandando uma grande qualidade de profissionais qualificados e apresentando projeções super otimistas para os próximos anos. A expectativa da Brasscom é de que 420 mil novas vagas tech surjam até 2024.

Por outro lado, quando o assunto é igualdade de gênero, o setor de tecnologia e informação tem um longo caminho pela frente. Infelizmente, as mulheres ainda enfrentam muitos preconceitos e dificuldades para se enquadrar e ter sucesso neste mercado.

Como o primeiro passo para qualquer mudança é a boa informação, vamos entender melhor como está a presença das mulheres na tecnologia, os desafios e a importância de uma maior inclusão para elas nessa área? É só continuar a leitura!

Empregabilidade de mulheres

 

A população brasileira é formada em 51,8% por mulheres, elas representam 53,2% da população em idade ativa e desde 1991 a taxa de participação feminina no mercado de trabalho não ficava abaixo de 50%, conforme o Ipea.

Por outro lado, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, este cenário mudou com a crise da COVID-19, reduzindo a taxa de 53,1% registrada ao final de 2019 para 45,8% em 2020.
Tal queda se traduz em um aumento de 1,1 milhão no número de mulheres desocupadas no último ano e na realidade de que, apesar de serem maioria quando o assunto é força de trabalho e também escolaridade, elas encontram mais dificuldades em entrar e se manter no mercado de trabalho.

Enquanto mulheres são maioria nos cargos iniciais como aprendiz (55,9%) e estagiária (58,9%), no “topo da pirâmide”, em cargos de liderança e confiança elas ficam para trás, como na supervisão (38,8%), gerência (31,3%), diretoria (13,6%) ou conselho (11%). 

Segundo o Global Entrepreneurship Monitor 2019, as mulheres também representam 50% dos empreendedores em estágio inicial e 43,5% dos empreendedores estabelecidos no Brasil, o que também é um reflexo dos desafios da empregabilidade de mulheres no país.

Como está a presença delas no mercado de TI?

O mercado tech está recheado de oportunidades e vagas, mas, ao mesmo tempo enfrenta a problemática de escassez de mão de obra especializada combinada com uma redução anual significativa nos números de estudantes em formação ou formados na área.

Tomando esse contexto e passando para o recorte da empregabilidade de mulheres na TI, temos vários dados interessantes que revelam o status desse cenário e merecem ser levados em conta na hora de se buscar uma evolução do mercado como um todo:

  • A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), revelou que no Brasil apenas 20% dos profissionais de TI são mulheres.
  • Conforme a pesquisa salarial deste ano da Catho, elas ganham de 11% a 33% menos que eles no mercado tech, mesmo tendo os mesmos cargos e funções.
  • Apenas 9% das vagas de CEOs na área de TI são ocupadas por mulheres, mesmo com a comprovação de habilidades para o cargo.
  • De acordo com a ATN (Associação Telecentro de Informação e Negócio), 36.300 mulheres formadas na área buscam colocação no mercado de trabalho.

Não é novidade dizer que a TI é majoritariamente dominada por homens. Mas será mesmo que isso acontece simplesmente porque as mulheres não se interessam por essa área? Pode acreditar que não. 

A desvalorização e os desafios das mulheres na tecnologia (e no mercado de trabalho como o todo) começam lá na educação básica e se estendem da entrada à retenção e promoção delas na área, isso sem entrar em nenhum recorte racial ou social.

Os desafios (claramente) presentes

Em termos práticos, os desafios enfrentados pelas mulheres na TI envolvem a dificuldade em entrar em um mercado dominado por homens e a necessidade de provar sua competência e credibilidade dentro desse cenário em termos técnicos e gerenciais.

Mas isso, como já falamos, é fruto de causas mais substanciais que giram em torno da questão de gênero. Vamos entender isso um pouco melhor?

Uma questão de educação

Ainda há no imaginário e conhecimento estrutural das pessoas a ideia de que o mercado da tecnologia não é ou não convém para as mulheres, assim como é comum em diversos esportes, na ciência e outras profissões “intelectuais” ou “braçais”.

Desde cedo, as meninas são menos incentivadas a se interessar por temas relacionados à área, a estudar computação e, consequentemente, seguir essa carreira, em comparação com os meninos.

Uma questão social

As trabalhadoras mulheres dedicam cerca de 73% mais horas do que os homens nos cuidados de pessoas e afazeres domésticos. Essa predominância vem do fato de que o trabalho doméstico é socialmente atrelado às mulheres e evidencia uma grande problemática que elas enfrentam: o acúmulo de tarefas.

A área de TI exige um aprimoramento constante e a manutenção de um bom portfólio, histórico e rede de contatos, afinal é um meio super competitivo. Porém, se dividindo entre outras atividades, é obviamente mais desafiador para as mulheres serem vistas, valorizadas e se destacarem na tecnologia.

Uma questão estrutural

Vivemos em uma sociedade patriarcal e capitalista, o que por si só já implica em uma desvalorização social e intelectual das mulheres. Mas isso é reforçado por diversas falácias que nos cercam:

  • mulheres são as responsáveis pelos trabalhos domésticos e pela manutenção da família;
  • mulheres são naturalmente maternais e devem priorizar seus filhos; 
  • mulheres são frágeis, emocionais e submissas, se encaixando melhor em profissões inferiores ou passivas; 
  • mulheres devem e sempre contam com o suporte de um homem provedor, por isso, não precisam ganhar melhores salários ou promoções.

A lista definitivamente não termina por aí, mas não é difícil encontrar esse tipo de pensamento ainda em vigor dentro dos negócios, famílias e relações. 

No mercado tech, essas ideias se chocam com o estereótipo hard worker, lógico e racional que é cultivado e valorizado entre os desenvolvedores, o que afeta (às vezes até inconscientemente) a entrada e crescimento de mulheres neste meio.

Resumindo: os desafios da empregabilidade de mulheres na TI são muitos e grandes, porém vale dizer que o mercado e a sociedade também não estão completamente alheios a essa situação e mudanças vêm sendo feitas nesse sentido - ainda bem!

A importância das mulheres na tecnologia

Um mercado mais diverso e igualitário é não só importante, mas necessário e vantajoso para todos. A desigualdade de gênero afeta negativamente o PIB e a economia dos países, além de impactar no desenvolvimento específico dos segmentos.

Na TI, as mulheres podem representar uma solução para a escassez de mão de obra, assim como mais possibilidades de inovação e crescimento. As mulheres, segundo estudos, também possuem melhores habilidades de comunicação, outro grande gap nesse mercado.

Por fim, ter mais mulheres na tecnologia é o primeiro passo para essa desigualdade ser oficialmente extinta e podermos ter meninos e meninas, mulheres e homens se interessando e atuando neste universo que nós tanto amamos. Afinal, representatividade importa e muito!

Portal de Emprego - Casa do Desenvolvedor

Você é uma mulher da tecnologia e está procurando aquela oportunidade de trabalho para crescer na sua carreira? O Portal de Emprego da Casa do Desenvolvedor também é para vocês, desenvolvedoras!

E se você tem uma software house ou negócio tech e quer ser um(a) agente de mudança para um mercado mais diverso e igualitário, também pode anunciar suas vagas e encontrar uma profissional e tanto para a sua empresa, que tal? É só chegar junto também!

Karina Harumi
Karina Harumi
Analista de Marketing e Inovação. Responsável pelo Fórum e pelo Blog da Casa do Desenvolvedor, a comunidade do mundo de desenvolvimento de software e uma apaixonada pelo universo do UX/UI Design. ♡

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